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A Vantagem Humana
Ferramenta vs. camada de gestão··5 min de leitura

A produtividade que a IA dá a cada pessoa não chega ao lucro da empresa

A maioria das empresas sente mais produtividade com IA, mas o ganho raramente muda uma decisão de negócio, e é aí que o retorno financeiro desaparece.

A pesquisa “State of AI”, divulgada pela McKinsey em agosto, perguntou a executivos de todo o mundo se a IA havia melhorado a produtividade das suas empresas. Oitenta por cento disseram que sim. À pergunta seguinte, se esse ganho tinha aparecido no lucro, a resposta caiu para 37%, igual ao ano anterior. E quando a régua subiu para “valor significativo” — pelo menos 5% do lucro operacional —, restaram 6%.

80%dizem que a IA melhorou a produtividade
37%viram esse ganho aparecer no lucro — igual ao ano anterior
6%relatam valor significativo, 5% ou mais do lucro operacional

Michael Chui, senior fellow da McKinsey, resume o motivo da pesquisa: há um intervalo entre o desenvolvimento da tecnologia, e até o investimento nela, e o valor que uma organização consegue capturar. Ele descreve a cobrança que chega às mesas de CIO e CEO: “os CFOs estão perguntando aos CIOs, os investidores estão perguntando aos CEOs: cadê o retorno dessa coisa?” O Gartner tem um número para essa cobrança: em 2025, apenas uma em cada cinco iniciativas de IA chegou a um ROI mensurável.

A leitura mais comum para esse funil é de instrumentação: falta uma régua melhor. O Gartner propõe uma, batizada de “retorno sobre inteligência”, que amarra projetos de IA a resultado financeiro e também a não financeiro. Robert Thanaraj, analista da casa, recomenda deslocar o foco do custo para o valor. É o tipo de conselho que qualquer consultoria daria sobre qualquer tecnologia nova, e por isso mesmo não toca no que este caso tem de específico.

Onde a produtividade para de virar lucro

Lido com cuidado, o funil descreve o ponto exato em que a produtividade individual para de alcançar a decisão organizacional.

O funil não mede mal uma régua. Mede bem um valor que, na maioria das empresas, nunca chegou a existir.

Os 80% que sentem produtividade relatam a camada mais fácil de perceber: a mesma tarefa, mais rápida. Redigir, resumir, programar, responder sem o atrito de antes. Isso é real, e é também o mais barato de registrar: qualquer pessoa que usa um assistente de IA no dia a dia nota a diferença em uma semana, sem nenhum sistema de medição.

A régua seguinte já cobra outra coisa. A pergunta “isso apareceu no lucro” não mede quem trabalhou mais rápido: mede se alguma decisão de negócio saiu diferente por causa disso, o que produzir, para quem vender, onde cortar. A maior parte dos usos de IA, mesmo os bem-sucedidos, nunca chega lá. Aceleram a execução de decisões que continuam sendo tomadas do mesmo jeito, pelas mesmas pessoas, com o mesmo critério de antes.

A leitura óbvia O que o funil mostra
Falta uma métrica melhor para capturar o ROI O ROI falta porque a decisão não mudou, só a tarefa
“Retorno sobre inteligência” resolve o problema A métrica nova descreve, com outro nome, a mesma ausência
6% é pouco porque a adoção ainda é recente 6% é o tamanho real de quem mudou alguma decisão

O que o 1 em 5 do Gartner revela

A estatística do Gartner costuma ser lida como taxa de maturidade: 20% das iniciativas “deram certo”, o resto ainda está a caminho. A divisão provável separa dois tipos de projeto por outro critério: um mudou o que a empresa decide; o outro mudou apenas a velocidade de executar o que ela já tinha decidido fazer antes.

Os custos de token que surpreendem, a qualidade de dado que falha, a adoção que não pega entre os usuários aparecem nas mesmas pesquisas como obstáculo, e são obstáculos reais. Nenhum deles, porém, explica por que uma empresa com dado limpo, custo sob controle e adoção alta ainda assim não vê o lucro mover. Essa empresa pode ter resolvido todos os problemas técnicos e continuar decidindo exatamente como decidia antes, só que mais rápido.

Velocidade não é decisão.

O relatório que falta antes do ROI

Uma empresa que passa a decidir orçamento, prioridade ou corte de outro jeito por causa de um uso de IA tem o que mostrar ao CFO: existe um antes e um depois concreto na decisão, não só no relógio. Uma empresa que apenas fez o trabalho de sempre mais rápido não tem nada para contrastar: a velocidade só vira margem se alguém usar o tempo que sobrou para mudar o que é feito com ele, e a maioria das empresas pesquisadas pelo McKinsey nunca chegou a mudar essa decisão.

A saída prática começa antes da escolha de métrica: é dar a alguém que já decide orçamento e prioridade na empresa, e não ao CIO, a responsabilidade mensal de listar quais decisões de negócio mudaram de lado por causa de um uso específico de IA, e tratar essa lista como pré-requisito de qualquer cálculo de retorno. Não é um relatório de adoção, de usuários ativos ou tokens consumidos: é um relatório de decisão, sobre o que a empresa faria diferente se a ferramenta deixasse de existir hoje.

Enquanto essa lista estiver vazia, qualquer ROI calculado é precisão aplicada a um número que ainda não existe. A pergunta do CFO está certa; só chega cedo demais em três de cada quatro empresas que ainda não mudaram nenhuma decisão de negócio por causa de IA.

Quantas decisões de orçamento, prioridade ou corte a empresa tomou de forma diferente por causa de IA nos últimos seis meses, e quem seria capaz de listar essas decisões agora, sem abrir nenhum painel de uso?

Perguntas frequentes

Isso vale só para empresas que já usam IA em grande escala?

O teste funciona em qualquer estágio. A pergunta não é quanto a empresa usa IA, é se algum uso específico já mudou uma decisão de orçamento, prioridade ou corte. Empresas pequenas, com poucos usos, podem responder isso com mais facilidade do que uma grande corporação com centenas de pilotos e nenhuma decisão alterada.

Quem dentro da empresa deveria ser o responsável por esse relatório mensal de decisões?

Quem já responde pelo orçamento ou pela prioridade do negócio, não o time de tecnologia. O CIO sabe quantos usuários ativos existem; quem decide onde cortar ou investir é quem consegue dizer se aquele uso mudou alguma escolha real. Colocar essa responsabilidade na área de negócio evita que o relatório vire, de novo, uma métrica de adoção disfarçada de métrica de resultado.

Por que uma métrica nova, como o 'retorno sobre inteligência' do Gartner, não resolve o problema?

A métrica nova pressupõe que exista alguma mudança de decisão para medir. Na maioria dos casos do levantamento da McKinsey, essa mudança nunca aconteceu: o uso ficou todo na velocidade da tarefa. Trocar de régua antes de resolver isso só produz um número mais elegante para descrever a mesma ausência de resultado.

Fonte analisada: Tech execs are getting wise about ROI from AI — Computerworld

Análise produzida com assistência de inteligência artificial, sob critérios editoriais definidos pelo publisher. Ver política editorial.
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