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A Vantagem Humana
Jardinagem, não big bang··4 min de leitura

O ERP ganhou agentes de IA, e os CIOs ainda tratam a mudança como obra com inauguração

Só 13% das empresas confiam no fornecedor do ERP para tocar a estratégia de IA, e quase nenhuma orçou quem mantém o julgamento humano depois do go-live.

Uma pesquisa da Dresner Advisory Services, com mais de cem empresas, mostra que 70% ou mais já implementaram algum sistema de ERP. Só 26% usam esse ERP para inteligência de negócios, análise ou planejamento. E apenas 13% dizem confiar no fornecedor do próprio ERP para conduzir a estratégia de inteligência artificial da companhia. Os números aparecem em reportagem do analista de CIOs Myles Suer na InformationWeek, publicada em 2 de outubro, ao lado da leitura do analista John Van Decker, da própria Dresner: o ERP precisa deixar de ser um sistema passivo de registro e virar um sistema ativo de inteligência, movido por agentes autônomos, interfaces conversacionais e análise preditiva. Suer lembra algo que qualquer CIO já sabe: a implementação de ERP é o maior compromisso de tecnologia que o cargo assume, e afasta o executivo das discussões da própria profissão por seis a doze meses.

70%+das empresas pesquisadas já implementaram ERP
26%usam o ERP para inteligência de negócios, análise ou planejamento
13%confiam no fornecedor do ERP para conduzir a estratégia de IA

A leitura óbvia é que o problema é maturidade de dados. Van Decker e Suer praticamente dizem isso: a maturidade da IA não pode ultrapassar a maturidade dos dados que a alimentam. Resolver seria, então, questão de engenharia. Arrumar a base, integrar os sistemas, treinar os modelos, declarar a implementação concluída e seguir para o próximo item da lista do CIO.

A pausa de seis a doze meses que ninguém revisita

Só que o próprio relato lista dois fatores que decidem se a camada de agentes funciona sobre o ERP, e nenhum dos dois se resolve arrumando dados. Um é treinar quem opera o sistema para contestar a recomendação do agente quando ela estiver errada. O outro é o que Suer chama de saturação de mudança: o desgaste de equipes que já passaram por rodadas demais de implantação automatizada.

Nenhum dos dois cabe dentro de uma janela de seis a doze meses com data de entrega. Dizer não a um agente é um músculo. Atrofia se não for exercitado, e a tendência natural depois do primeiro semestre de acertos é parar de checar. Saturação de mudança não se resolve acelerando a próxima rodada de implantação — é causada por tratar cada rodada como evento isolado, em vez de um ritmo que a organização precisa aprender a absorver.

O ERP virou jardim dentro de uma empresa que ainda o trata como obra. A obra tem inauguração. O jardim não.

O que os 13% escondem

O número que mais chama atenção na pesquisa da Dresner não é o de maturidade de dados — é o dos 13%. Ele diz que a maior parte das empresas não terceiriza ao fornecedor do ERP a decisão estratégica sobre IA: ela fica dentro de casa. Isso é prudente, porque é exatamente onde mora o contexto do negócio. Mas também significa que não existe fornecedor para cobrar a manutenção contínua do julgamento humano sobre o que o agente recomenda.

Se ninguém cuidar disso por dentro, ninguém cuida.

A leitura óbvia O que os números sugerem
Falta maturidade de dados para a IA agêntica funcionar Só 13% confiam no fornecedor para tocar a estratégia — a decisão, e a manutenção dela, ficam dentro de casa
Resolver é arrumar a base e seguir para o próximo projeto Contestar o agente e gerir a saturação de mudança são tarefas permanentes, não etapas de um cronograma

O orçamento que termina no dia errado

Para quem dirige uma empresa que está prestes a ligar agentes ao próprio ERP, a implicação mais prática é orçamentária. O projeto de implementação tem uma linha de custo que termina no go-live, mas o treino para contestar o agente e o acompanhamento da saturação de mudança não têm fim projetado. Sem linha própria depois do go-live, os dois competem por atenção com o próximo projeto da lista do CIO, e perdem.

Uma saída concreta é dar dono a uma revisão mensal do que já está em produção: alguém responsável por decidir, agente por agente, se o que foi implantado continua, é ajustado ou é desligado, com data marcada no calendário e não condicionado à boa vontade de quem sobrou depois que o projeto original acabou. Sem esse rito, a adoção para no tamanho do último orçamento aprovado — mesmo com o ERP e a IA continuando a caminhar sozinhos para a frente.

Falta também medir a saturação como se mede qualquer outro recurso finito da empresa: quantas rodadas de automação uma equipe absorveu nos últimos doze meses, e não apenas quantas o CIO conseguiu entregar. Ignorar esse número é descobrir tarde demais que a implementação tecnicamente perfeita falhou porque ninguém no time tinha mais atenção disponível para ela.

Quando a próxima rodada de agentes entrar em produção no ERP da empresa, quem vai lembrar, seis meses depois, de perguntar se o time ainda sabe dizer não para o que a máquina recomenda?

Perguntas frequentes

Isso vale para empresas que ainda não usam ERP com agentes de IA?

Vale, porque o padrão não é do ERP: é de qualquer camada de IA que entra em produção. Toda implementação tem orçamento e prazo, mas o treino para contestar a recomendação da máquina e o acompanhamento da saturação de mudança precisam de orçamento contínuo, sem data de término, independente da ferramenta específica adotada.

Quanto tempo depois do go-live esse problema costuma aparecer?

Normalmente não no primeiro semestre, quando a novidade mantém a atenção alta e os erros do agente ainda chamam atenção. O risco cresce depois, quando a recomendação errada já não causa surpresa e a equipe para de checar por hábito — o que a pesquisa citada chama de saturação de mudança.

Quem dentro da empresa deveria ser o dono dessa revisão mensal?

Alguém com autoridade para desligar um agente, não só para sugerir ajuste — do contrário a revisão vira formalidade sem consequência. Costuma ser o gestor da área que usa o sistema no dia a dia, com o CIO revisando o conjunto, porque é essa área que primeiro percebe quando a recomendação parou de fazer sentido.

Fonte analisada: Even now, ERP implementations can make or break CIOs — InformationWeek

Análise produzida com assistência de inteligência artificial, sob critérios editoriais definidos pelo publisher. Ver política editorial.
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